No começo foi apenas um rolinho…

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Sobre a libertação da mulher, e o sensual.

Há tempos venho tentando escrever em defesa das mulheres que são atacadas apenas por serem donas de seu próprio nariz. O corpo da mulher, é dela. Cada indivíduo deve ter autonomia sobre seu próprio corpo. E se nesse corpo houver a urgência, o chamado para a arte, então que se faça arte. Mas não me vieram as palavras corretas e por isso, porque não sou mulher, e não sofro diretamente com o abuso de autoridade sobre meu corpo. Foi quando, lucidamente, uma mulher maravilhosa, modelo sensacional, e personalidade fortíssima, descreveu com suas próprias e perfeitas palavras. Segue um trecho:

As vezes quando falo que gosto de fotografia sensual as pessoas me olham como se eu fosse um ET. Quando eu respondo às suas perguntas com um “não, não tenho vergonha.. é normal” parece que acabei de dizer um palavrão. Pior ainda é quando eu comento que prefiro fazer um ensaio sensual do que um editorial em estúdio e elas me olham pasmas como se eu fosse alguém que precisasse de salvação.

A verdade é que no fundo eu acabo mais chocada que elas, porque pra mim, o corpo humano não é uma assombração. E ai eu me pergunto, por que as pessoas não suportam a nudez? O SENSUAL não precisa ser SEXUAL.

A gente parece mesmo que precisa se cobrir toda hora, escolhemos um casaco, um muro, uma mascara. Qualquer coisa que nos distraia da matéria de que somos feitos…

Então pra todos aqueles que me perguntam “Mas como você tem coragem?” A resposta é exatamente essa: A nudez exige coragem.

Tive a felicidade de aprender com a delicadeza de muitos fotógrafos que me clicaram que um ensaio sensual é quase um exercício de abandono, é a exposição desprotegida do que você tem de mais sensível, é a janela das nossas falhas, é ser nada. Nudez é despertencer. Acho que essa palavra não existe, mas é o que melhor define pra mim.
– Lari Agostini

Assim sendo, dou voz e espaço aqui no meu blog, me ponho de lado, para aquela que sente na pele – o quanto a pele pode sentir – de bom e de ruim, a respeito de ensaios sensuais e dos obstáculos que derruba.

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Projeto “Belezas Sem Retoque”

O “Belezas sem Retoque” é uma serie de retratos com fotografia analógica que comecei há algum tempo e vem tomando forma mais profunda e investigativa a cada novo ensaio. Consiste em uma série retratos de beleza e sensualidade sem a adição de retoques digitais ou quaisquer modificações de conteúdo na fotografia. Buscando a beleza de real valor.

 

Longe da objetividade das medidas, das técnicas e das proposições estéticas, busco a estética do simples e profundo, a contemplação do olhar, das expressões e das formas. Por vezes este novo olhar acaba por mostrar aos fotografados uma nova perspectiva sobre si mesmos, proporcionando alteração positiva de reconciliação entre o Eu do fotografado e sua auto-imagem. Abaixo, algumas imagens.

 

Confira a galeria completa do Belezas sem Retoque no Flickr

Se você gostou e deseja participar, entre em contato comigo em:  facebook.com/Sergio.Marreiro.Fotografo

Fotografia e Arte – Empacou?

Sem entrar no debate cansativo se fotografia é arte ou não, vou apenas considerar que, para o propósito deste texto, nem toda foto é arte, mas algumas são. O que sugere que alguns fotógrafos são artistas, ou pelo menos capazes de fazer arte, e outros não.

Dito isto quero me concentrar naqueles não produzem arte, mas gostariam.

Num cenário simples,  pode ser aquela pessoa que gosta de fotografia, não pensou muito sobre suas razões pra gostar de fotografia, tem uma câmera, fez um curso (ou não), aprendeu, faz fotos bonitas, as pessoas gostam. E ainda assim, por algum motivo que não consegue definir, está um tanto descontente com seu trabalho.

Se leu até aqui, e acha que este texto é pra você, muito bem! Tenho duas notícias bacanas pra te dar:

  1. Se você não está satisfeito com seu trabalho, é sinal que tem algum senso crítico e sabe que pode melhorar;
  2. Vou te dar algumas dicas!

I – Pense a respeito

A primeira dica, já está embutida na introdução é que você descubra suas razões, seus sentimentos, que impulsionam você pra fotografia. Não vale dizer que é “porque fotografia captura o momento”, “traz sensações”, nem nada do gênero. E não se gasta poucos minutos nesta investigação, é preciso pensar com força, com vontade mesmo. Este simples exercício de investigação mental já vai te levar a lugares novos na sua mente, e portanto, na sua fotografia.

II – Pratique

Esta, por incrível que pareça, é uma coisa negligenciada pelos fotógrafos. O ato de praticar, de treinar. Uma dançarina pratica horas, um escritor faz ensaios, um desenhista faz exercícios, um músico treina, e todos estudam muito. O fotografo comum não treina. E há tanto para treinar. Mesmo incompleto, este blog já proporciona exercícios para melhorar sua técnica e sensibilidade. Pratique.

III – Artefique-se

Envolva-se com arte. Com outras artes, vá a saraus, um concerto de RAP, uma ópera, exposições, teatro, feiras. Mas não apenas com olhos de visitante, de espectador, aqui vale a primeira dica:  pense a respeito. Por que determinado instrumento faz o som que faz? No que um poema é diferente de uma redação? Quais seriam as decisões dos artistas que levaram sua obra apresentada a atingir este ou aquele formato?

IV – Expanda-se

Esta é só um apêndice da terceira dica. No sentido de arteficar-se,  talvez seja interessante aprender outras formas de arte para complementar sua alma artística. Aprender um instrumento musical, dançar, ou simplesmente desenhar. E como incentivo, eu indico uma leitura que, creio, é capaz de modificar nossas cabeças em relação ao desenho: Desenhando com o lado direito do cérebro. Este livro vai te ajudar a dismitificar o desenho e melhorar sua comunicação visual, que pode ser muito bem aplicado à fotografia.

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Álbum de Casamento Artesanal e Analógico

Eu tive a felicidade de conhecer pessoas maravilhosas que adoram arte. É pra essas pessoas que eu me empenho tanto em fazer algo único, com caráter e personalidade. Quando a Dani me chamou para fotografar o casamento dela, logo fiquei interessado em fazer com fotografia analógica. Ela topou. Eu fiquei ao mesmo tempo feliz e inseguro. Claro, e como era minha primeira vez num casamento com as analógicas, eu levei uma amiga/assistente pra fazer as digitais. Entreguei ambos, álbum dital e analógico, no mesmo formato 20x20cm para caberem numa mesma caixinha. As ampliações foram feitas aqui em casa, minha esposa ajudou (quase fez tudo sozinha) na encadernação artesanal. E, para a digital, eu usei um seriço de fotolivro.

Ambos ficaram muito bonitos. Mas o que me deixou feliz mesmo foi o resultado, do qual, eu mostro um pouco nesta galeria.

Depoimentos – Carlos Ximenes

Pra quem não sabe, eu ofereço um workshop de fotografia sensual, com ênfase na direção de modelo. O curioso de oferecer oficinas é que aprendemos tanto quanto ensinamos, e temos oportunidade de nos relacionarmos com algumas pessoas interessantes. É o caso do Fotógrafo Carlos Ximenes, que é uma pessoa muito agradável e eu o percebi aproveitando ao máximo a oficina. Por isso resolvi colocar aqui alguns resultados conseguidos no dia, além de uma pequena entrevista que ele atenciosamente me respondeu por email. Confira.

Você já fotografava sensual antes?

Sim.

Por que resolveu fazer o Workshop “O Feminino e o Sensual”?

Sempre gostei de fotos espontâneas e não gostava tanto de dirigir, o que me levou ao workshop foi principalmente a direção de fotografia, de um tempo para cá venho me preocupando em melhorar este quesito, geralmente trabalho com modelos profissionais, como nem sempre iremos trabalhar com modelos senti necessidade de aprender um pouco mais sobre direcionamento, as pessoas comuns geralmente ficam um tanto quanto “travadas” de frente para a câmera ainda mais sendo foto sensual.

E o workshop correspondeu as suas espectativas?

Sergio Marreiro é um profissional de primeira qualidade, sensitivo, atencioso e didático na aula, está preocupado em passar os conhecimentos e ao mesmo tempo em saber se estamos absorvendo o que está passando e nos induz à colocar em prática. Creio que o fato de ele ser artista plástico enxerga a fotografia de forma poética e consegue expressar isso na maneira de se expressar.

O que mudou pra você depois de ter feito este workshop?

Me levou a muitas reflexões como por exemplo: a locação pode ser simples e que se observarmos bem temos inúmeras possibilidades para criar, aproveitar os intervalos entre as fotos para mudar um móvel de lugar e para saberem mais recomendo que façam o workshop!

Abaixo, algumas fotos do Carlos, feitas durante o Workshop, que para minha alegria, fez questão de fazer a maior parte de fotos analógicas.

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Texturas e Padrões – Elementos Formais de Composição

Antes de mais nada, se você ainda não leu minha introdução sobre as Regras de Composição reserve alguns minutos para isso.

Padrões

Padrões são formas repetitivas ou muito semelhantes. Fotografar pode ser descobrir e enquadrar formas e jogos de luz e sombra que se repetem criando a sensação de ritmo. Somos automaticamente atraítos para padrões visuais e rítmicos e conseguimos indetificá-los e memorizá-los facilmente. Mas afotografia é mais que isso, é preciso aproveitar os padrões para estabelecer ritmo e narrar uma história, ou uma sensação, e para isso, desconstruir o padrão de forma que permaneça apenas o ritmo, mas a repetição monótona e enfadonha seja substituída por surpresa, surrealismo.

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O padrão outrora simétrico da vidraça, é alterado pela perspectiva e projeção das sombras oblongas. O ritmo também é quebrado pela força da luz do Sol.

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Aqui a repetição do piso é quase imperceptível mas a repetção das portas é bastante forte realçada pelo contraste entre parte iluminada e parte escura da fotografia. Um desdobramento sólido e frio.

Os padrões surgem naturalmente mas muitos são feitos por humanos em construções civís, tecidos, ou outras estruturas. Mas alguns padrões e tão intrincados e complexos que passamos a chamar-lhes de texturas, como o piso da foto acima e as paredes de pedra da foto abaixo.

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Neste caso, a textura dá-se pela natureza dos materiais e além da sua organização. As pedras tem sua textura típica reforçada pelas linhas de sobra entre elas.

A textura não é, necessariamente, apenas rugosa e forte. Pode-se também fazer com que o motivo de uma boa fotografia seja o contraste entre duas texturas, o mais comum é a pele e cabelos ou pelos das pessoas.

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Nesta foto, tanto o contraste de luz e sombra, quanto o contraste entre tipos de textura ajudam a fazer uma boa composição.

Ainda pensando em padrões intrincados, podemos considerar as arvores como textura apenas em vez de objetos isolados. Mudando o pensamento sobre o objeto a ser fotografado, você pode alterar o resultado final. Nos dois exemplos seguintes há pouca distinção do que é folhas no chão (primeira foto) e o que é arvore (segunda foto). Neste sentido, não há mais uma interpretação de unidade de textura do que apenas soma de objetos individuais.

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E mais uma vez, podemos lembrar que vale muito a pena “quebrar” a padrão/textura com um objeto que apresente uma textura diferente, ou até uma iluminação ressaltada. Como no exemplo abaixo:

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Nesta foto, temos o padrão de arvores como linhas verticais fortes, a textura forte da grama, e em linhas horizontais com textura mais sauve, a mesa de piquenique. Ou mais evidentemente no exemplo abaixo 🙂
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Como Avaliar uma Câmera Analógica

Antes de continuar lendo, talvez você queira ver minhas dicas descompromissadas de qual camera escolher.

Então você quer comprar uma camera analógica e não sabe como avaliar se ela tá boa? Vou te dar umas dicas gerais que devem ser adaptadas conforme os diferentes tipos de câmeras.

Funcionamento geral:
Para ter uma idéia do funcionamento geral da máquina será necessário usar  visão, tato, e audição. Segure-a como se fosse bater uma foto. Gire os anéis de foco e de abertura (se os tiver), sinta se emperra ou se faz algum barulho. O foco deve ser sempre suave, sem resistência, mas também não pode ser solto demais. Os de abertura podem ser um pouco mais complicado porque algumas câmeras tem aneis de abertura que fazem “tic” em cada posição, outras, tem movimentos fluidos permitindo colocar a aberture entre uma posição e outra. Posicione na velocidade mais rápida da camera. Clique e avance o filme. O som de clique também depende muito do tipo de camera. Uma rangefinder tem um “clique” muito sutil, pois não tem um espelho que levanta como a SLR que tem um ruído desse espelho levantando e abaixando rapidamente. De qualquer forma o som do clique tem que ser limpo, nítido e rápido. Ao acionar o avanço do filme, sinta se há alguma resistência desnecessária. Veja se as peças móveis estão bem justas, sem folga.

Considere três elementos básicos que qualquer câmera fotográfica deve ter, inclusive as mais simples: obturador, diafragma, e conjunto ótico.

1-Obturador:
O obturador é a parte da camera que permite que a luz entre na camera, abrindo e fechando por um período programado. Existem alguns tipos de obturadores, como o de cortina (que pode ser de metal ou tecido) ou de iris. Para ter certeza de que a obturador funciona. Coloque numa velocidade em torno de 1/60.

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Abra a parte da camera que vai o filme, direcione a lente para uma fonte de luz e olhe atraves da caixa escura (câmara) e atraves da lente. Clique. Voce deve poder ver o obutrador abrindo e fechando permitindo a luz entrar na caixa por um tempo controlado. Teste diferentes tempos.
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2-Diafragma ou Iris:
O diafragma controla a abertura da lente, que controla a quantidade de luz que que entra na caixa. Para testar, mantenha a camera aberta como no passo anterior e coloque a velocidade no modo B, que vai fazer com que o obturador permaneça aberta enquanto você estiver pressioando o botão disparador. Pressione o botão, e veja o obturador abrir e manter-se aberto. Com a outra mão, gire o anel de abertura e veja se o diafragma se move.

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3-Conjunto ótico:
Uma lente funcional é uma lente com pouco ou nenhum risco ou mancha. Livre de fungos e translúcida. Simplesmente olhando a camera na loja ou feira não é possível saber se a lente está fazendo o foco, ajustada ou nítida. Mas se ela estiver bem translucida, se seus anéis não estiverem enferrujados já são bons indícios.

Certificando-se do funcionamento de ao menos essas 3 partes, é quase garantia de que a camera faz fotos.

Outros fatores que merecem atenção:

• Vazamento de luz, que é difícil de averiguar;
• Partes elétricas que só funcionam com bateria, como exemplo a Yashica FX-D Quartz ou a Pentax 645n que só disparam se houver bateria suficiente;
• Fotômetros antigos não são confiáveis;

Se for possível, peça garantia leve a câmera e faça fotos testes em plena luz do dia com filme novo e revelação padrão. Diminuir variáveis aumenta o sucesso do teste. Não deixe que situações de pouca luz, filmes vencidos ou revelações mal feitas atrapalhem o resultado do seu teste.

Formas Geométricas – Elementos Formais de Composição

Antes de mais nada, se você ainda não leu minha introdução sobre as Regras de Composição reserve alguns minutos para isso.

Formas Geométricas

Às vezes, quando as figuras são muito complexas, a leitura da foto se torna difícil. Por isso utilizamos a visualização de formatos, ou formas geométricas para facilitar a composição e a leitura. As formas mais comuns e mais fáceis são os circulos, quadrados, triângulos e paralelogramos. Existe a leitura direta das formas como elas realmente são, bem com a dissecação de formas mais complexas em partes mais simples. Em situações óbvias, o uso da geometria pode ser demonstrada como na foto abaixo:

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Mas existem casos em que o uso de formas mais complexas exigem uma atenção maior por parte do fotógrafo para posicionar todos os elementos de forma consciente no quadro, como este outro exemplo:

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Neste caso, o triângulo com uma base bem sólida na parte inferior da imagem dá sensação de força e equilíbrio. Nem sempre o resultado é uma figura geométrica de fácil identificação, mas quanto mais complexa a foto, mais sinto a necessidade de organizar em grupos de figura geométricas para organizar a composicão.

Outras vezes, as formas são mais orgânicas, ou resultado de zonas de textura, ou mudanças de degradês. No caso abaixo, a figura geometrica surge como um rio sinuoso, formado pelo céu (cor), nuvens (degradês) e folhas (texturas).

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Uma outra forma de realçar partes da imagem é atravez de espaços negativos, que vou falar melhor em outro post, mas deixo um exemplo agora:

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É um assunto que merece mais atenção, no qual eu pretendo voltar a discutir outras vezes. Mas a idéia geral é identificar os grupos ou zonas que formam formas mais simples para melhor ajudar a compor.

Full frame – Qual é a melhor e mais barata para aprender?

Muita gente acha que pra aprender fotografia, ou fotografar despretensiosamente, vale mais a pena comprar uma DSLR do que ficar gastando dinheiro com filmes e revelação. Bem, a conta não é tão simples quanto parace. Conversando com colegas fotógrafos chegamos a alguns números interessantes. Citando o Bruno Massao, do grupo de discussão “Queimando o Filme” de blog de mesmo nome:

“Para todos os efeitos, vou usar valores médios para revelação e scan em um laboratório aqui no Brasil, ok? E, para ser justo, citar a D600 da Nikon, a mais básica, com preço oficial do Brasil, que é ridiculamente caro: R$14.000,00 (só corpo). A câmera é estimada, pela Nikon, em 120.000 cliques. Ou seja, se a câmera durar esse tempo todo, sai em média R$0,11 por foto.”

Nikon d600 sem a lente.

“Agora, com filme. Vou fazer a conta usando um filme relativamente barato e uma revelação + scan em alta (leia-se:: acima de 3.000 pixels) também baratos. Suponhamos que o filme custe R$7,00 o rolo (36 poses) e a revelação + digitalização saia, em média, R$13,00. Arrendondamos em R$20,00 para termos 36 fotos. Um valor de R$0,55 por foto.”

“Se só isso não basta pra você, imagina o seguinte: 120.000 fotos, em negativo. Uma bagatela de R$66.000,00”.

Nesta primeira análise, essa conta aponta para a óbvia conclusão de que usar uma full-frame DSLR sai muito mais barato do que queimar a mesma quantidade de clicks numa Pentax k1000 (que pode ser conseguida a partir de R$ 200) nos mercados de pulgas e fornecer uma qualidade e controles excelentes!

Mas clicks não é noção de tempo. E para minha avaliação, conversando com o próprio Massao, chegamos a estes números:

“Eu, por exemplo, fotografo todo dia. Se  fosse fazer meu trabalho primordialmente em filme, eu gastaria uma média de 4 rolos por semana! Tirando em média R$20 (que foi a média que eu coloquei no grupo) por rolo, seria R$80 por semana, R$320 por mês, R$3840,00 por ano!”

Assim, em pouco mais de 3 anos, clicando com fotografia analógica, você teria gasto o suficiente para comprar uma DSLR full-frame. O que significa, ao meu ver, que durante pelo menos 2 anos, é mais barato usar a analógica, e convenhamos, 4 rolos por semana é muita foto se você não trabalha intensamente com fotografia. Desta forma, a conta do que é mais caro ou mais barato depende muito da finalidade. Mas como geralmente me perguntam “Qual é a melhor câmera pra aprender a fotografar”, eu gosto de responder que qualquer uma analógica com regulagem manual de foco, velocidade, abertura.

A Linha – Elementos Formais de Composição

Antes de mais nada, se você ainda não leu minha introdução sobre as Regras de Composição reserve alguns minutos para isso.

A Linha.

Como mencionado no meu post anterior “O Ponto” uma linha se forma quando se tem mais de um ponto. Esta linha pode ser explícita ou implícita. Em ambos os casos, as linhas, como qualquer elemento de composição, devem ser posicionados no quadro de modo a intensificar uma idéia abstrata ou concreta.

As linhas mais facilmente utilizáveis são as de perspectiva.

Linhas em perspectiva

As linhas em perspectiva ajudam a ressaltar o valor da profundidade e a separação entre concreto e árvores.

A “vontade” da linha pode ser usada também emocionalmente. Linhas em diagnal, como no exemplo acima, intensificam o drama da profundidade, no entanto, linhas horizontais podem passar um ar de sossego ou de organização.

Apesar de haver linhas em perspectiva, elas são entendidas mais como textura, aqui, as linhas que importam são as horizontais fortemente marcadas e realçadas pela composição.

Apesar de haver linhas em perspectiva, elas são entendidas mais como textura, aqui, as linhas que importam são as horizontais fortemente marcadas e realçadas pela composição.

Até agora, os exemplos foram com linhas retas, mais facilmente entendíveis. Mas, com alguma atenção, podemos usar linhas curvas com cuidado para não agirem mais como simples textura do que como vários elementos unidos.

Árvores

Árvores geralmente são vistas como texturas, dado os emaranhados de linhas de seus galhos. Mas é possível fugir dessa regra.

Linhas orgânicas são geralmente bêm expressivas. Mas podemos ter linhas suaves como as do corpo ou de objetos de decoração. Linhas de movimento são comumente evitadas. Geralmente não queremos borrões nas nossas fotos, mas há casos em que essas linhas, muito semelhante a orgânicas, são belamente utilizadas para intensificar a sensação de movimento.

Metro

As linhas formadas pelas luzes do metrô em movimento compõem aqui algumas pinceladas expressivas.

Por fim, as linhas implícitas, são aquelas que mais direcionam nosso olhar, no entanto não estão lá. Como no caso de grupos em alinhamento ou pontos de interesse. Quando nossos olhos passeiam pela foto, forma-se esta linha, agindo como um único elemento de composição.

Neste caso, as folhas brancas e rostos dos cantores do coral forma uma linha implícita.

Neste caso, as folhas brancas e rostos dos cantores do coral forma uma linha implícita.

Outras linhas não são assim tão evidente como as da foto acima. Algumas precisam de mais tempo e absorção da imagem para serem percebidas, mas o fotógrafo tem que levar em consideração se vai colocar mais um, ou menos um ponto de interesse para intensificar a linha.

As três mulheres e seus olhares (velados ou revelados) fomam uma linha que é quase impossível de não percorrer. Mesmo que o cabelo vermelho ressalte do resto das fotos, a linha é forte.

As três mulheres e seus olhares (velados ou revelados) fomam uma linha que é quase impossível de não percorrer. Mesmo que o cabelo vermelho ressalte do resto das fotos, a linha é forte.

As linhas, como todos os elementos formais, são usadas o tempo todo, até inconscientemente ou melhor, instintivamente na composição. Porém, quando racionalizamos e sistematizamos, podemos entender melhor esses elementos e assim, fazermos melhor uso deles. Que tal queimar um rolo de filme só buscando realçar as linhas para treinar e desenvolver melhor sua percepção?