No começo foi apenas um rolinho…

Exposição Correta não existe!

Muito ouço falar e vejo nos foruns e grupos de discussão sobre fotografia, a respeito de sub-exposição, super-exposição e exposição correta.

Pra ir direto ao assunto, isso não existe, nenhuma das 3 formas existem como absolutos, apenas como relativos. A quantidade de cores que podemos realmente ver é uma estreita faixa no espectro de luz, mas boa parte disso ainda é “processada” pelo nosso cérebro para harmonizar claros e escuros. Essa parte processada é muito boa para resolver problemas, mas também é a que nos leva ao que chamamos de ilusões de ótica. Mas e quando fotografamos? O quê vemos? O que não vemos?

Nas câmeras com fotômetro no modo automático, o “cêrebro” que decide o que exposição correta está no algorítmo do fotômetro. Então quando obedecemos cegamente ao fotômetro, estamos deixando a tomada de decisão sobre o que é exposição correta para este dispositivo, que normalmente faz o cálculo para um cinza, neutro. Nos exemplos abaixo, perceba como o fotômetro se engana completamente sobre como seria uma exposição correta.

No limite, sub-exposição ou super-exposição acontecem, ao meu ver, quando se perde informações, ou seja total preto, ou total branco. Em fotografia, evitamos (note bem: “evitamos”) total preto e total branco. Eu realmente não me importo com alguns casos onde minha sensibilidade na pós-produção me levou ao total-preto, mas fico um pouco chateado quando eu perdi esta informação no momento do clique.

subexposicao

A esquerda, a exposição sugerida pela DSLR, a direita “super-exposto” 2 pontos.

Screen Shot 2013-02-10 at 1.32.39 PM

Este é o histograma da foto do ovo no prato acima, note que as informações estão concentradas à direita, ou seja, para os tons claros, no entanto, para se considerar superexposto, a informação deveira se perder…

Screen Shot 2013-02-10 at 1.32.26 PM

… como nesta simulação. O gráfico mostra as informações se concentrando no máximo de luz a direita, indicando excesso de informação clara, pouquíssimos, tons médios e nenhum tom escuro.

superexposicao

Ou neste outro exemplo, onde a “exposição correta” faz que todos os tons escuros virem tons de cinza. A direita, “sub-exposto” 2 pontos.

Mas mesmo assim, é um valor subjetivo onde os instrumentos e as regras servem apenas como guias, não como forças imutáveis. A dica é: use os instrumentos a seu favor, não como amarras. Mas como fazer isso? A maneira mais prática é saber que tipo de fotômetro você está utilizando, e fazer várias medições do mesmo quadro antes de fotografar para poder decidir qual a melhor exposição para sua linguagem como fotógrafo.

Subexposicao-4895028

Fiz esta foto para captar bem os detalhes da luminária, e usei o fotômetro de ponto, apontando diretamente para luminária. Depois, refiz o enquadramento e subi ainda meio-ponto porque sabia que a latitude do filme compensaria os médios e as luzes da maneira que eu esperava.

Sendo a fotografia analógica ou digital, tenha em mente que o fotometro vai tentar deixar tudo no médio e, pelo menos no meu caso, quase nunca o médio é bom. Note por exemplo esta foto, na qual eu usei uma modelo branca, com camisa branca, numa parede branca e assim, o fotômetro ficou confuso, eu ainda queria mais luz, então fiz a fotometria bem no queixo da modelo, depois me afastei, aumentei um ponto, medi a parede novamente para ver se não ia estourar (perder completamente informação) refiz o quadro e fiz uma série de fotos no manual para não perder a configuração.

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Esse tipo de exposição é chamada de “hi-key”, e o inverso, “low-key” também é válido.

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Aqui, fiz a uma sub-exposição de maneira a fundir os elementos escuros como o cabelo ao fundo preto. Eu realmente não me importo de resutados estarem fora da regra, principalmente se o resultado geral me agrada tanto quanto este.

Subexposicao-14

Neta foto, se eu deixasse pro fotômetro resolver, os cabelos iluminados pelo sol, que foi o assunto que me interessou, estariam completamente brancos, o rosto apareceria, mas eu perderia essa sensação gostosa quando vejo a silhueta iluminada pela contra-luz.

Então, não é possível dizer, sob essa ótica, qual seria a exposição correta, e portanto, não é possível dizer se alguma foto está sub-exposta ou super-exposta em absoluto, somente em relação a outra foto, outra proposta, ou ainda ao fotômetro que se utiliza. E fotômetros são apenas maquinas que medem a quantidade de luz disponível, não sabem dizer se uma foto é boa ou ruim, pra isso ainda precisamos de humanos para decidir, discordar, sonhar e permirtir as diferenças.

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3 responses

  1. Ótimo post! Contribui para expandir nossos horizontes.

    Obrigado

    Março 2, 2013 às 1:53 pm

    • sergiomarreiro

      Obrigado a você.

      Se tiver alguma dica, duvida ou sugestão, por favor se sinta à vontade.

      Abs.

      Março 4, 2013 às 4:08 am

  2. Eu também concordo contigo, sub-exposição ou super-exposição acontecem quando se perde informações, sucesso 🙂

    Abril 26, 2015 às 4:11 pm

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